Goiabada cascão: a goiabada de tacho com pedaços e casca
Goiabada cascão caseira à moda mineira, apurada devagar com a casca da goiaba até dar ponto de corte. Rende cerca de 1 kg de doce.
Em Minas, goiabada boa é a cascão: escura, com pedacinho de fruta e casca no meio, nada daquela lisinha de fábrica. É doce de tacho de cobre, feito em tarde de fogo baixo, com alguém da família revezando na colher de pau enquanto o cheiro de goiaba toma conta da casa inteira.
No interior, quando o pé de goiaba carregava, ninguém deixava fruta cair no chão. Juntava-se tudo num balaio e o doce virava estoque para o ano, cortado em barra e guardado embrulhado no armário. Em São Sebastião do Paraíso, uma fatia de goiabada com queijo depois do almoço era quase obrigação.
Com o que servir
O par clássico é o queijo minas, fresco ou meia-cura, no famoso romeu e julieta. A goiabada também vai muito bem com um pedaço de broa de fubá, recheando biscoito de nata ou derretida por cima do bolo de fubá simples. Para uma mesa de doces completa, junte o doce de leite de panela e o doce de abóbora com coco.
Goiabada cascão
Ingredientes
- 2 kg de goiabas vermelhas bem maduras
- 1 kg de açúcar (ou cerca de 3/4 do peso da polpa já processada)
- 1 xícara (chá) de água
- Suco de 1/2 limão (opcional)
Modo de preparo
- Lave bem as goiabas, corte as pontas e parta cada uma ao meio. Retire o miolo com as sementes usando uma colher e reserve. Não descasque: é a casca que dá o nome e a textura do cascão.
- Bata o miolo com a água no liquidificador, rapidamente, e passe por uma peneira para tirar as sementes. Esse creme vai ajudar a dar liga ao doce.
- Pique as cascas (a parte firme da goiaba) em pedaços pequenos, ou passe metade delas rapidamente no processador e deixe a outra metade em pedacinhos.
- Junte as cascas, o creme peneirado e o açúcar num tacho ou panela de fundo grosso. Leve ao fogo médio, mexendo, até o açúcar derreter e a mistura ferver.
- Abaixe o fogo e cozinhe por cerca de 1 hora a 1 hora e meia, mexendo com frequência e raspando o fundo. Conforme engrossa, mexa sem parar, porque o doce passa a espirrar e pega com facilidade.
- O ponto chega quando a goiabada fica escura, brilhante e se desprende inteira do fundo do tacho, deixando ver o fundo por alguns segundos ao passar a colher. Junte o limão nesse momento, se for usar.
- Despeje numa forma de vidro untada levemente ou forrada, alise a superfície e deixe esfriar em temperatura ambiente. Depois cubra e espere pelo menos 12 horas para firmar antes de cortar.
- Goiaba bem madura, quase passando, é a mais doce e perfumada. Goiaba verde deixa o doce ácido e sem cor.
- A proporção de açúcar varia com a doçura da fruta. Prove no meio do cozimento e ajuste antes de chegar ao ponto.
- Para testar o ponto, pingue um pouco num pires frio. Se firmar e não escorrer ao inclinar, está pronta.
- Use luva ou pano no braço na fase final: a goiabada quente espirra e queima.
- Embrulhada em papel-manteiga e guardada em pote fechado, dura semanas fora da geladeira em lugar fresco, e mais ainda refrigerada.